quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Gênio Indomável

Havia esquecido que tinha escrito também sobre o filme "Gênio Indomável", o meu predileto do ator Matt Damon. Texto escrito em 02/03/2012: destaque ao intenso uso da 1ª pessoa do plural > <
Chuckie Sullivan, interpretado por Ben Affleck, sai de um automóvel e caminha até um sobradado onde mora Will Hunting (Matt Damon), o grande foco desta história. A partir desta primeira situação, nós então, espectadores, mergulhamos na cabeça, vida e história de Hunting, o nosso gênio indomável.
Hollywood sempre gostou dessas narrativas protagonizadas por uma mente incrivelmente inteligente, nas várias facetas que ela possa oferecer. Em relação à disciplina matemática, já cito alguns filmes: Pi, Rain Man e A Beautiful Mind (Uma Mente Brilhante); muito bons e que nos instigam a aprofundar nossas ideias em ciências exatas. Good Will Hunting segue nesta mesma leva, sendo que o considero o melhor dos quatro.
Voltamo-nos à narrativa: Chuckie Sullivan, Will Hunting, Morgan O'Mally (Casey Affleck) e Billy McBride (Cole Hauser) são um grupo de amigos do peito e que vivem a se envolver em brigas pela cidade, sempre juntos. Will Hunting trabalha como zelador no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, sigla do inglês) e que se mostra extremamente interligado com a Matemática ao resolver um problema difícil que o Prof. Gerald Lambeau (Stellan Skarsgard) deixa na lousa do corredor, alcançando um anonimato destaque. Lambeau inicia assim uma busca pelo aluno que resolveu o exercício, até perceber que quem trouxe a resolução foi o zelador. Junto com o professor, nós conhecemos e vamos nos surpreendendo com Hunting: um personagem, que diferente dos que protagonizam os outros filmes que citei, não se mostra apenas altamente envolvido com a Matemática, mas também com as mais variadas matérias curriculares, mostrando-se um verdadeiro erudito.
Mas há um detalhe destaque que não o diferencia dos outros filmes, além da habilidade matemática: é a rebeldia e os problemas psicológicos; grandes pontos focos nessas obras quando se trata de um "gênio". Em Good Will Hunting o caso é ainda mais notável.
Chega uma etapa na história em que o professor faz um trato com Will, dando-o o direito de se ver livre da prisão que ele foi por causa de brigas, sendo que o dever dele é começar a ir se tratar com psicólogos junto a um envolvimento com trabalhos na universidade acompanhados pelo próprio Lambeau e seu assistente Tom (John Mighton).
As forças de seu intelecto e sua rebeldia vêm de forma primorosa, o diretor Gus Van Sant e os roteiristas - os próprios Matt Damon e Ben Affleck - souberam mostrar isso sem a intensa presença de excessos de absurdos matemáticos com o personagem ao resolver contas, algo que diminui, em certa medida, Rain Man e A Beautiful Mind, e muitas outras obras ficcionais estadunidenses, pois se afastam da realidade proposta. A existência de gênios como Will H. é algo palpável, não pode ser considerado algo sobre-humano, pois tudo o que ele diz vem de um regrado estudo e não apenas de um dom, declaração essa que normalmente muitas pessoas não apoiam e dizem que o indivíduo já nasce programado para toda essa sabedoria.
Ao passar por vários psicólogos e não ter proveito com eles, o professor decide levar Will a um antigo amigo formado nessa área. Sean Maguire (interpretado inesquecivelmente por Robin Williams) é o escolhido. As cenas dos encontros entre Sean e Hunting são o apogeu do filme, com diálogos de beleza dialética. Em que vemos um que possui toda uma bagagem de conhecimentos acumulada pelos livros e outro com sua intelectualidade provinda principalmente do empirismo, pois ele não se afasta do mundo de símbolos e sinais que são os livros, notamos isso ao conhecer a "sala de introspecção" de Sean.
O momento em que os dois estão a olhar o lago e a conversarem, vemos bem as diferenças ideológicas deles, principalmente ao conhecer as ideias de Sean. Esse vem e começa um monólogo sobre a diferença entre o empirismo e o idealismo - o idealismo é o próprio Hunting. Enfim, vemos o início de uma mudança de ideias no personagem de Matt Damon. Essa cena é uma clara metáfora às duas correntes filosóficas, ambas que possuem intensos argumentos para cada uma delas. 
O filme foi merecidamente premiado com o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (Robin Williams) e Melhor Roteiro Original (Matt Damon e Ben Affleck).
O Bom Will Hunting é então deixado a nós como grande linda mente dos cinemas. 

Informações técnicas
Título original: Good Will Hunting
Ano: 1997
País: EUA
Diretor: Gus Van Sant
Roteiro: Matt Damon e Ben Affleck
Orçamento: $10.000.000 (estimado)
Produtoras: Miramax 
                    Be Gentlemen Limited Partnership 
  •                 Lawrence Bender Productions

domingo, 18 de janeiro de 2015

A Identidade Bourne

Texto escrito originalmente no dia três de abril de 2010 em uma série de textos sobre Matt Damon que eu iria começar a escrever, terminou e escrevi apenas dois: esse e um a respeito de A Supremacia Bourne. Segue a pequena análise/crítica do filme A Identidade Bourne.
Nasce aqui o Matt Damon para o estrelato mundial, sendo um dos seus filmes mais conhecidos e um dos de maior sucesso, ocasionando até numa trilogia de equivalente destaque.
Equilibra-se entre muito mistério e pouca ação bastante "tensa" e desenvolvida. É a história de um homem que é encontrado no meio do oceano - um pouco vivo e um pouco morto - e que não sabe nem o seu nome, no entanto consegue desde lutar com três policiais ao mesmo tempo até cortar o cabelo de mulheres. Partindo então desse mistério de sua origem que se desenrola a história, em que aos poucos ele encontra mais pistas e caminhos a serem escolhidos, e ainda que seja um filme um pouco complicado de entender, não se torna um enigma. Se você assistir duas vezes já absorverá o essencial para a compreensão.
Algumas mensagens dão a subentender quase toda a ideia do filme, e isso é muito bem sacado: um exemplo é quando Jason Bourne (esse é o nome do personagem de Matt Damon) está naquele clima de "crise de identidade", a todo tempo ele vê o seu reflexo retorcido ou embaçado na imagem do espelho, perguntando a si quem verdadeiramente ele é. Ou então quando ele chega em Zurique e aos poucos vai andando em direção ao centro até sumir instantânea e completamente na multidão, virando um qualquer no meio do povo.
As mudanças de cena são bem frias, com pouco fundo musical e força na fotografia. Isso é muito percebido nas cenas de ação que misturam suspense - e não apenas a "ação pela ação". Quando Bourne está lutando, a sonoplastia musical é muito rara, fortalecendo a aproximação da realidade. Uma das poucas sequências em que há certa música é quando ele e sua cúmplice amada (Franka Potente) estão fugindo pelas ruas de Paris com um Mini antigo, carro que consegue uma presença notável durante o longa.
O comportamento é focado no dos policiais e no próprio Bourne, um dos problemas é como o diretor (Doug Liman) apresenta esses comportamentos em algumas partes - um dos grandes defeitos dos filmes hollywoodianos (impedindo muitos de ganharem algum 10): um modo forçado dos comportamentos. Primeiro, a soberania que é criada nos policiais é forçada pelo patriotismo de um jeito que quer surpreender a todo tempo, naquele estilo CSI. E segundo, em alguns poucos momentos de diálogos, o protagonista faz explicações que não são coerentes com a sua realidade, sendo que a coerência nesses tipos de filme deve existir e ter sentido. Mas como eu disse, em relação ao Jason Bourne isso só ocorre algumas vezes, existem cenas primordiais com ele que nem possuem um roteiro belíssimo: quando ele e a personagem de Franka Potente estão no carro e ela só fica a falar e a falar, enquanto Bourne parece não estar prestando atenção e, até mesmo, a ignorando. É então que ela para e acha que era como se estivesse falando com o volante, porém o nosso protagonista estava muito atento e pede para que ela continue contando suas histórias, surpreende ela e ao espectador com todo o talento que brilha nessa atuação de Matt Damon.
Num filme que as doses de ação são bem colocadas, a última cena deixa a desejar, pois se desvincula totalmente das outras tão boas, reais e trabalhadas como por um maestro. Ainda assim, essa última maçã podre não apodrece o restante: as partes das lutas que batem muitos outros filmes especializados somente nisso, a preocupação com os detalhes que deixam diversas mensagens subliminares, a relação que se cria entre Matt Damon e Franka Potente, e, sem dúvida, a esplêndida atuação do próprio.

Informações técnicas 
Título original: The Bourne Identity
Ano: 2002
País: EUA
Diretor: Doug Liman
Roteiro: Tony Gilroy e William Blake Herron (roteiro adaptado do romance de Robert Ludlum)
Orçamento: $60.000.000 (estimado)
Produtora: Universal Pictures