Texto escrito originalmente no dia três de abril de 2010 em uma série de textos sobre Matt Damon que eu iria começar a escrever, terminou e escrevi apenas dois: esse e um a respeito de A Supremacia Bourne. Segue a pequena análise/crítica do filme A Identidade Bourne.
Nasce aqui o Matt Damon para o estrelato mundial, sendo um dos seus filmes mais conhecidos e um dos de maior sucesso, ocasionando até numa trilogia de equivalente destaque.Equilibra-se entre muito mistério e pouca ação bastante "tensa" e desenvolvida. É a história de um homem que é encontrado no meio do oceano - um pouco vivo e um pouco morto - e que não sabe nem o seu nome, no entanto consegue desde lutar com três policiais ao mesmo tempo até cortar o cabelo de mulheres. Partindo então desse mistério de sua origem que se desenrola a história, em que aos poucos ele encontra mais pistas e caminhos a serem escolhidos, e ainda que seja um filme um pouco complicado de entender, não se torna um enigma. Se você assistir duas vezes já absorverá o essencial para a compreensão.
Algumas mensagens dão a subentender quase toda a ideia do filme, e isso é muito bem sacado: um exemplo é quando Jason Bourne (esse é o nome do personagem de Matt Damon) está naquele clima de "crise de identidade", a todo tempo ele vê o seu reflexo retorcido ou embaçado na imagem do espelho, perguntando a si quem verdadeiramente ele é. Ou então quando ele chega em Zurique e aos poucos vai andando em direção ao centro até sumir instantânea e completamente na multidão, virando um qualquer no meio do povo.
As mudanças de cena são bem frias, com pouco fundo musical e força na fotografia. Isso é muito percebido nas cenas de ação que misturam suspense - e não apenas a "ação pela ação". Quando Bourne está lutando, a sonoplastia musical é muito rara, fortalecendo a aproximação da realidade. Uma das poucas sequências em que há certa música é quando ele e sua cúmplice amada (Franka Potente) estão fugindo pelas ruas de Paris com um Mini antigo, carro que consegue uma presença notável durante o longa.
O comportamento é focado no dos policiais e no próprio Bourne, um dos problemas é como o diretor (Doug Liman) apresenta esses comportamentos em algumas partes - um dos grandes defeitos dos filmes hollywoodianos (impedindo muitos de ganharem algum 10): um modo forçado dos comportamentos. Primeiro, a soberania que é criada nos policiais é forçada pelo patriotismo de um jeito que quer surpreender a todo tempo, naquele estilo CSI. E segundo, em alguns poucos momentos de diálogos, o protagonista faz explicações que não são coerentes com a sua realidade, sendo que a coerência nesses tipos de filme deve existir e ter sentido. Mas como eu disse, em relação ao Jason Bourne isso só ocorre algumas vezes, existem cenas primordiais com ele que nem possuem um roteiro belíssimo: quando ele e a personagem de Franka Potente estão no carro e ela só fica a falar e a falar, enquanto Bourne parece não estar prestando atenção e, até mesmo, a ignorando. É então que ela para e acha que era como se estivesse falando com o volante, porém o nosso protagonista estava muito atento e pede para que ela continue contando suas histórias, surpreende ela e ao espectador com todo o talento que brilha nessa atuação de Matt Damon.
Num filme que as doses de ação são bem colocadas, a última cena deixa a desejar, pois se desvincula totalmente das outras tão boas, reais e trabalhadas como por um maestro. Ainda assim, essa última maçã podre não apodrece o restante: as partes das lutas que batem muitos outros filmes especializados somente nisso, a preocupação com os detalhes que deixam diversas mensagens subliminares, a relação que se cria entre Matt Damon e Franka Potente, e, sem dúvida, a esplêndida atuação do próprio.
Informações técnicas
Título original: The Bourne Identity
Ano: 2002
País: EUA
Diretor: Doug Liman
Roteiro: Tony Gilroy e William Blake Herron (roteiro adaptado do romance de Robert Ludlum)
Orçamento: $60.000.000 (estimado)
Produtora: Universal Pictures

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